Objectivos Individuais
Muitos já devem estar saturados de tantos episódios, ainda por cima quando presentemente não é possível vislumbrar um final. Também é certo que neste "enredo" há vários vilões (ou candidatos a...) e só lamento terem-se esquecido do par romântico... sempre animava um pouco a "coisa"... mas não me parece que mais para a frente se descubra que afinal, Maria de Lurdes Rodrigues e Mário Nogueira são de facto amantes e vivem intensamente uma vida dupla.
Nesta fase da novela, há que entregar objectivos individuais que, na minha modesta opinião, nada dizem sobre o trabalho docente: primeiro, porque em muitos casos, uns há que se limitam a copiar outros (entenda-se, objectivos) e segundo, porque objectivamente, há coisas que não dá para objectivar... ou por outra, à partida já se sabe que faz parte da "função" docente, não sendo (devendo ser) necessário deixar isso em testamento.
Devo dizer que entreguei os meus... não por concordar com o "guião" da novela, mas simplesmente porque, caso não o fizesse, perderia (pelo menos assim o anunciam) o meu sustento financeiro, ou seja, perderia o direito de concorrer mais um ano a "figurante".
Digo também que reconheço que, realmente, avaliar é necessário, mas deveria o processo começar por tentar arranjar pontos objectivos passíveis de serem avaliados, tornando o processo uniforme em todo o universo escolar, logo, mais justo. Assim, não perderiam as escolas tempo infinito a "esmiuçar" a actividade docente com preciosismos de, não tarda muito, até de indumentária.
Reconhece-se também que (in)felizmente também haverá colegas que no fundo, não querem mesmo ser avaliados: "queremos avaliação, mas esta não" é um argumento "fraco" e mais depressa aplicável a ter sido proferido pelo nosso Primeiro Ministro, que tem por hábito o de mandar o povo à m*rda, sendo que este, como já anteriormente referi, fica ansioso por iniciar a viagem. Basta referir, por exemplo, o relatório "forjado" referente ao 1º ciclo... impressiona mais uma vez, infelizmente, pela negativa!!! Impressiona ainda mais o facto de, perante isto, nada (ou muito pouco) podermos fazer: andamos tão "distraídos" com a crise que deixamos passar em claro essas desonestidades.
Veremos o que o futuro nos reserva e quantos mais episódios haverá. Deixo aqui uma sugestão: contratem o Nicolau Breyner para realizador, que pelo menos assim teremos direito a ver "maminhas", mesmo que o contrato não nos agrade :)
Descubra as diferenças
Situação: O fim das férias.
Ano 1978:
Depois de passar 15 dias com a família atrelada numa caravana
puxada por um Fiat 600 pela costa de Portugal, terminam as férias. No dia
seguinte vai-se trabalhar.
Ano 2008:
Depois de voltar de Cancún de uma viagem com tudo pago, terminam
as férias. As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão, seborreia e
caganeira.
Situação: Chega o dia de mudança de horário de Verão para Inverno.
Ano 1978:
Não se passa nada.
Ano 2008:
As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão e caganeira.
Situação: O Pedro está a pensar ir até ao monte depois das aulas, assim
que entra no colégio mostra uma navalha ao João, com a qual espera poder fazer
uma fisga.
Ano 1978:
O director da escola vê, pergunta-lhe onde se vendem, mostra-lhe a
sua, que é mais antiga, mas que também é boa.
Ano 2008:
A escola é encerrada, chamam a Polícia Judiciária e levam o Pedro
para um reformatório. A SIC e a TVI apresentam os telejornais desde a porta
da escola.
Situação: O Carlos e o Quim trocam uns socos no fim das aulas .
Ano 1978:
Os companheiros animam a luta, o Carlos ganha. Dão as mãos e
acabam por ir juntos jogar matrecos.
Ano 2008:
A escola é encerrada. A SIC proclama o mês anti-violência escolar,
O Jornal de Notícias faz uma capa inteira dedicada ao tema, e a TVI insiste
em colocar a Moura-Guedes à porta da escola a apresentar o telejornal,
mesmo debaixo de chuva.
Situação: O Jaime não pára quieto nas aulas, interrompe e incomoda os
colegas.
Ano 1978:
Mandam o Jaime ir falar com o Director, e este dá-lhe uma bronca
de todo o tamanho. O Jaime volta à aula, senta-se em silêncio e não
interrompe mais.
Ano 2008:
Administram ao Jaime umas valentes doses de Ritalin. O Jaime
parece um Zombie. A escola recebe um apoio financeiro por terem um aluno
incapacitado.
Situação: O Luis parte o vidro dum carro do bairro dele. O pai caça um
cinto e espeta-lhe umas chicotadas com este.
Ano 1978:
O Luis tem mais cuidado da próxima vez. Cresce normalmente, vai à
universidade e converte-se num homem de negócios bem sucedido.
Ano 2008:
Prendem o pai do Luís por maus-tratos a menores. Sem a figura
paterna, o Luís junta-se a um gang de rua. Os psicólogos convencem a sua
irmã que o pai abusava dela e metem-no na cadeia para sempre. A mãe do Luís
começa a namorar com o psicólogo. O programa da Fátima Lopes mantém durante
meses o caso em estudo, bem como o Você na TV do Manuel Luís Goucha.
Situação: O Zézinho cai enquanto praticava atletismo, arranha um joelho. A
sua professora Maria encontra-o sentado na berma da pista a chorar. Maria
abraça-o para o consolar.
Ano 1978:
Passado pouco tempo, o Zézinho sente-se melhor e continua a correr.
Ano 2008:
A Maria é acusada de perversão de menores e vai para o desemprego.
Confronta-se com 3 anos de prisão. O Zézinho passa 5 anos de terapia em
terapia. Os seus pais processam a escola por negligência e a Maria por
trauma emocional, ganhando ambos os processos. Maria, no desemprego e cheia
de dívidas suicida-se atirando-se de um prédio. Ao aterrar, cai em cima de
um carro, mas antes ainda parte com o corpo uma varanda. O dono do carro e
do apartamento processam os familiares da Maria por destruição de
propriedade. Ganham. A SIC e a TVI produzem um filme baseado neste caso.
Situação: Um menino branco e um menino negro andam à batatada por um ter
chamado 'chocolate' ao outro .
Ano 1978:
Depois de uns socos esquivos, levantam-se e cada um para sua casa.
Amanhã são colegas.
Ano 2008:
A TVI envia os seus melhores correspondentes. A SIC prepara uma
grande reportagem dessas com investigadores que passaram dias no colégio a
averiguar factos. Emitem-se programas documentários sobre jovens
problemáticos e ódio racial. A juventude Skinhead finge revolucionar-se a
respeito disto. O governo oferece um apartamento à família do miúdo negro.
Situação: Fazias uma asneira na sala de aula.
Ano 1978:
O professor espetava duas valentes lostras bem merecidas. Ao
chegar a casa o teu pai dava-te mais duas porque 'alguma deves ter feito'
Ano 2008 :
Fazes uma asneira. O professor pede-te desculpa. O teu pai pede-te
desculpa e compra-te uma Playstation 3.
Futuro
Posso dizer com franqueza que nunca me considerei uma pessoa muito optimista, já que sigo a filosofia de que "um pessimista é um optimista instruído". Se bem que também não me considero um pessimista a 100%: fico-me pelos 90% (ainda há esperança)! Continuo a ter fé de que o benfica vai ganhar o campeonato!!!
Agora, seria bom ou mau nós sabermos à partida o que nos reserva o dia de amanhã? Partindo do princípio de que isso seria possível, tornar a vida tão "previsível" por antecipação de eventos tornar-se-ia monótono e perigoso. Toda a gente o diz e com razão!!!
É certo que todos nós, em algum momento na nossa vida, somos confrontados com algum tipo de "dejá vu" (acho que é assim que se escreve - francês não é o meu forte). A ciência trata logo de nos explicar que isso deve-se a uma "falha no cérebro" que provoca uma "velocidade de processamento" diferente entre cortex cerebral e visão (penso que é isso). Bem, eu cá preferia não pensar que a minha máquina tem mais esse "bug".
Acreditando em "dejá vu's" todos nós teríamos incorporado um "professor Katinga" no software orgânico... só não dá é para fazer negócio disso. Mais, isso implicaria que, provavelmente, a nossa vida já estaria "pré-programada". Triste notícia!!! Isto porque eu, apesar de todo o pessimismo, ainda acredito que é possível absorver alguma felicidade da vida... e saber o que nos espera, a meu ver, estraga a emoção.
Inverno à antiga
Mais importante ainda, um destes Invernos que nos concede o prazer de ver nevar em Viseu.
É certo que a neve é chata e o frio, nem se fala! É mais fácil segurar uns óculos de sol nos suportes laterais, vulgo orelhas, do que segurar com uma mão o guarda-chuva e com a outra o voucheur da agência de viagens e ir sonhando com sítios mais "summer friendly".
Recordo-me que por alturas do último grande nevão (1997-98, não sei ao certo) andava eu em viagem. Tinha ido, juntamente com uns colegas, exteriorizar a sabedoria para uma folha de papel, ou seja, tinha ido fazer um exame ao Porto (sim, adivinharam: exame escrito). Tivémos o prazer de "confraternizar" com uma camada branca de água já a caminho de Viseu, no antigo IP5. Um pouco à frente e um pouco antes, um camião teve o mesmo prazer, mas resolveu "festejar o encontro" perpendicularmente, ou seja, atravessou-se na estrada. Essa pequena celebração forçou-nos a prosseguir viagem pela antiga estrada de S. Pedro do Sul. O "espectáculo" foi... espectacular... e devidamente observado, como devem imaginar, em marcha lenta... sem grandes pressas. Até porque o tal espectáculo da Natureza nos proporcionou alguns obstáculos espalhados pelo trajecto, tornando a "prova" mais difícil.
Relembro esses tempos com saudade... nostalgia portanto! Relembro o (já) velho carro do meu pai: mercedes 220D, que, curiosamente nesse dia, revelou-se um verdadeiro "carro de corrida". Passo a explicar: o que falta contar desta viagem prende-se com a "prova" que antecedeu a chegada ao IP5. De facto, quando saímos do Porto (após o massacre escrito e uma rápida jantarada no... MCDonald's) dirigiamos-nos calmamente a Viseu quando alguém (não me acuso) teve uma daquelas dores de barriga XL, que obrigatoriamente resulta numa "expulsão rápida dos demónios". Ora, acontece que, sendo que isso se proporcionou já na A1, a única hipótese de "expulsão" dos ditos cujos estava a 30 e tal kms mais à frente, ou seja, na estação de serviço que antecede a saída para o IP5. Uma solução intermédia não era viável, já que chovia e, salvo seja, é preferível antes segurar o tal voucheur na outra mão, do que um rolo de papel higiénico (ou o que houvesse). Assim, o maravilhoso mercedes 220D nunca andou tão depressa... e nunca os meus colegas estiveram tão pálidos.
Após a necessária "pausa" na estação de serviço lá prosseguimos viagem, com menos uma "bagagem", em direcção ao espectáculo branco e à nossa terrinha, Viseu.
Enfim, um episódio deveras peculiar... daqueles que espero contar aos meus filhos... ou sobrinhos, logo se vê.
Entretanto, cá vamos batendo o dente, ansiosos por dias mais "alegres", mas maravilhados por ver novamente nevar em Viseu (pelo menos eu).
Down the drain
Escusado será dizer que, em relação à "nossa" expressão, podemos argumentar que, batendo no chão, as duas possibilidades são: permanecer com a bochecha colada ao mosaico da cozinha, ou então, "put some strength on the knees" e toca a levantar!!! Ou seja, resumimos as nossas possibilidades a duas: ficar no chão, ou não!
Já em relação à expressão "americanada", muito se pode dissertar sobre as possibilidades. Debruço-me mais sobre uma específica: sendo claro que do "drain" vamos para o saneamento público (na maioria dos casos), o que poderá acontecer de seguida? Uma rápida análise sugere que ficamos no meio da m*rda, ou seja, a nossa situação não evolui muito. Se bem que depois somos sujeitos a alguma espécie de tratamento, de modo a podermos ser "despejados" em campos de cultivo e afins, isso também implica que esse processo requeira algum tipo de "limpeza", eliminando as impurezas. Partindo do pressuposto que não nos consideramos impurezas, somos de novo aproveitados para dar vida a "plantinhas", milho ou batatas (não sei qual delas prefiro).
A meu ver, pode-se assim concluir que, "à portuguesa", dependemos apenas de nós próprios para descolarmos do chão frio, enquanto que "à americana", teremos sempre que ser sujeitos a uma espécie de "intervenção social", que se resume a "limpar a m*rda da sociedade".
Assim, devido aos recentes eventos que assolaram o Monte Salvado, mais propriamente a minha casa, sinto-me um bocado americanado, logo, a precisar de um empurrão social, ou se preferirem, limpeza... já que os meus joelhos estão um pouco fracos!
Empurrem o Autocarro sff
Senão vejamos:
1) Com os sucessivos aumentos de combustível, o comum dos mortais tem que deixar de abastecer o seu depósito (estômago) para abastecer o da sua viatura. Com o passar do tempo, ambos os depósitos se vêm desprovidos de alimento;
2) As empresas de transporte queixam-se (e bem - devíamos estar todos, a meu ver preocupados, já que em última instância, como consumidores, somos os mais afectados), paralisando parte do país e tirando protagonismo, representado em tempo de antena, à nossa selecção que lá vai ganhando sem gastar petróleo, pelo menos directamente;
3) Por falar em selecção, diga-se que os coitadinhos, a quem a crise também afecta, vão dentro da viatura, acomodados e "descansadinhos", como disse, sendo "empurrados" e nem se dignam a dar uma ajudinha;
4) Não admira assim que a Galp ouse meter a malta a empurrar a dita viatura, já que todos nós, cheios de energia positiva, qualquer dia até para andar de transportes públicos temos que dar uma ajudinha nas subidas, para poupar combustível, claro. Ahh, combustível esse que a empresa detentora da dita publicidade, vai encarecendo ao sabor da especulação e do forro dos bolsos.
Perante isto o que podemos nós fazer? Rezar aos santinhos para que alguns sectores sigam o exemplo do dos transportes (excluindo claro está as "cenas" menos dignificantes de qualquer actividade económica), e que assim se possa inverter alguma coisa, porque se assim não for, quando chegar o momento não haverá dinheiro para viajar de TGV.
Pagar petróleo às prestações
Da forma como o mercado está a evoluir, não me surpreende se amanhã (ou depois), a Caixa Geral de Depósitos lançar um novo produto no mercado, que em vez de suportar a realização de umas férias pagas às prestações (em Bora Bora), permitirá abastecer o depósito do automóvel e pagar em 12 suaves prestações (TAEG 12,58543%). Claro está que, caso se falhe uma prestação, eles ficam com o pedal do acelerador (e já vão dois).
Surpreende-me sim, ver os ditos entendidos a "inundarem" os canais de televisão com afirmações insultuosas para o leigo (comum mortal, logo, por definição, privado de inteligência), alegando que essa espécie se vê alheada de tal mecanismo (diga-se, inteligência)... mas nem um nos diz concretamente que "o preço na bomba está a X porque efectivamente o crude foi comprado a Y...". Limitam-se isso sim a referir exaustivamente a existência das tais fórmulas complexas, pricings, piercings, etc... e a gente engole e fica na mesma... aliás, no dia seguinte, quando falamos com o Zé, parceiro da sueca das Quartas-feiras, consideramos-nos pessoas evoluídas, pois sabemos que "o pricing está mau, Zé!!!"
Neste momento, quando vou às bombas de gasolina, já não penso que o preço do petróleo aumentou, mas sim que o juro da prestação voltou a subir... só rezo para que os senhores "das Europa" decidam baixar a taxa de juro de referência... chiça... ou isso, ou ponderar com seriedade fazer diariamente 80Km de bicicleta... mas como não quero condenar a volta a Portugal em bicicleta a um fim prematuro, devido ao desinteresse geral da população, fortemente habilitada a fazer o mesmo (ou até mais, como diz aquele senhor dos seguros), limito-me ao lamento e à angústia de quem vê, quase metade do seu ordenado, entrar por um buraquinho estreito situado na lateral traseira do automóvel.
Por último, duvido (infelizmente) de medidas que visam privar companhias como a GALP da nossa presença nos seus ilustres estabelecimentos, já que, mesmo não comprando o produto final "aos moços", abastecendo em outros "ilustres estabelecimentos" origina que esses comprem mais produto refinado, adivinhem a quem... não se ganha por um lado, ganha-se não por outro, mas sim por muitos...
Quem pensava que manter um mulher saía caro, definitivamente fica mais barato andar a passear de mão dada na rua... a menos que a rua tenha muito comércio...
P.S. atendendo a que agora somos tentados a reciclar álcool, produtos de limpeza, chichi, etc, com vista à formulação de um produto alternativo ao combustível fóssil, não experimentem meter óleo de fritar os rissóis no depósito, já que com isso apenas se consegue obter um cheiro a fritos no ar... e mais um empréstimo à CGD...
Professora sexagenária VS Aluna "pita"
Local do confronto: sala de aula, segundo tempo.
Objectivos individuais: o professor deverá apoderar-se do telemóvel, PSP, Mp3, Mp4 e "fusca" do aluno. Por sua vez, o aluno deverá neutralizar as investidas do professor e se possível, tratá-lo com escarno, insultando a sua mãe(zinha) e os Lusíadas.
Pontos extra:
- 5 pontos extra para o aluno, caso consiga provocar um ataque cardíaco ao docente + 2 pontos extra se o ataque for fatal;
- 10 pontos extra para o docente, caso consiga abrir a porta para pedir auxílio + 5 pontos se conseguir retirar o boné da quicksilver ao aluno.
Cobertura audiovisual: garantida pelos colegas de turma, incluindo comentários em tempo real.
... e assim vai o nosso ensino...
Avaliem-me sff
Antes de iniciar o tema pretendido com este post, cabe-me agradecer aos poucos que ainda se dão ao trabalho de vir ver se há novidades :)
E indo ao que interessa, escrevo isto alguns dias depois de (dizem) 100.000 docentes se manifestarem em plena praça pública, indignados com o que se tem feito a nível central, e ao que a eles diz respeito, interferindo no (normal) funcionamento da “máquina”. Falo, claro, da avaliação dos professores, pretendida pelo Ministério da Educação, nos moldes "prontamente" apresentados em Janeiro deste ano.
Ultimamente - e passe-se a publicidade - leio as notícias do dia no público online. No que diz respeito a este tema, os comentários aí "postados" estão "recheados" de pérolas linguísticas, à boa maneira lusitana; restando dizer que não são colocados no sentido de elogiar tão nobre profissão.
De facto, a opinião pública, caso lhe fosse dado esse direito, regava os professores com gasolina, ou com outro produto altamente inflamável, mas consideravelmente mais barato. Em seguida, deitava-lhes fogo com um isqueiro à prova de crianças.
Entretanto, o governo e intervenientes económicos, aproveitando a distracção do povo, lá lhe vão entrando no bolso, seja pela ameaça do escalar do preço do pão, seja pela alteração do IVA (para baixo) a que algumas actividades económicas estão sujeitas, sem que o preço final para o consumidor seja alterado (mas que raio terá acontecido aqui?). Assim, mantém-se uma ministra incompetente para distrair o povinho… digo mais, uma socióloga que, caso fosse sujeita a uma prova de conhecimentos, como a própria quer fazer aos docentes, algo me diz que não teria a avaliação necessária para continuar na profissão.
Digo mesmo, que 99,9% dos portugueses (onde eu próprio me incluo), comentam tudo e todos, desconhecendo o assunto, desconhecendo as causas, e mais grave, desconhecendo as pessoas. É triste ter a consciência que somos capazes de tal coisa, ignorando que, talvez, a classe docente não seja assim tão "tapadinha", ao ponto de se juntarem todos em plena rua, qual carnaval do Rio, ou até, de Cabanas de Viriato, seguindo como cordeirinhos ao som do pastor; o tal de sindicato... interessante é ver que muitos que ali estavam, nem sequer são sindicalizados. Quem diz professores, diz outro assunto qualquer, sujeito ao escrutínio na praça pública. Somos pródigos a avaliar o comportamento dos outros, e mais ainda, a concluir que quem protesta, não é competente naquilo que faz.
Enquanto não sentimos a mão a entrar no nosso bolso (entretanto, já entrou por diversas vezes, mas foi de mansinho), ocupamos o nosso tempo a observar da bancada as manifestações dos outros, que, coitados, não são inteligentes ao ponto de saber o que os move a ali estar, a fazer aquelas figuras. E o que está por trás não interessa, já que os mesmos que amanhã nos vão apalpar o forro dos bolsos, naquele caso, são muito competentes. Seja lá o que for que pretendem fazer, naquele caso está bem…
Quem por curiosidade já leu alguns dos meus anteriores posts, sabe que também eu me dedico à mesma profissão que esses tais de 100.000. E mais, que antes disso, mais precisamente durante 10 anos, me dediquei a um patrão que conhecia e que, esporadicamente, a quem podia apertar a mão; quer isto dizer que trabalhei no sector dito privado (infelizmente, hoje em dia, mesmo esses já não são tão privados assim, ao ponto de, a troco de umas influências e regalias, terem que prestar contas a alguém ministeriável). Ora, tendo muitos amigos docentes, também eu dedicava o meu tempo a lamentar as minhas 40 (e tais) horas de trabalho semanais, quando os “caramelos” trabalhavam apenas 22 horas. Escusado será dizer que agora tenho outra percepção das coisas. Mas, considerando que essas 22 horas são dedicadas a leccionar (o resto, já todos ouviram falar, que é necessário preparar aulas, corrigir testes, meter a cabeça no frigorífico para arrefecer, reuniões, meter novamente a cabeça no frigorífico… mas parece que ninguém acredita que isso acontece), digo e desafio o comum dos mortais a experimentar tal acto… 22 horas semanais, dedicadas a (tentar) ensinar uns jovens que, revoltados e tal, se vêm obrigados a ir à escola. Se calhar, um dia bastaria para muitos terem uma percepção diferente da que têm agora.
Lembro-me do meu tempo de escola, em que havia um respeito enorme pela figura do professor (o meu obrigado a todos os meus professores, que fizeram com que hoje eu seja quem sou)… diga-se, que tal figura dispunha de “mecanismos” para penalizar os eventuais infractores, que de alguma forma revelassem um comportamento inadequado ao espaço de sala de aula… e ouvir falar em Conselho Directivo, fazia tremer o rufia mais persistente. Hoje, os miúdos vão para a escola como se fossem para jogar à bola no campo do bairro… perdão, como se fossem fazer uma lan party com os amigos, que isso de futebol com os pés cansa. Hoje em dia, os jovens não são os mesmos; não se regem pelos mesmos princípios… o acto de cuspir para o chão, enquanto se recita um verso de qualquer nobre figura já falecida da nossa praça, com o boné “bem” colocado, é normal. E pôr isso em causa, é contrariar as pobres almas, logo, motivo de crítica por parte dos mesmos, dos respectivos encarregados de educação e sociedade em geral.
Uma coisa é certa, se há um par de anos atrás, tudo funcionava relativamente bem… o que mudou para que hoje funcione mal? Os meus professores tornaram-se maus? A escola fechou as portas aos encarregados de educação? A matemática, história, geografia e demais disciplinas, tornaram-se monstros, que apenas servem para ocupar os professores e demonstrar a fragilidade dos receptores da informação que se quer transmitir? Eu, como trabalho com informática, já pensei em criar um jogo com uns gráficos excepcionais, que pretenda ensinar os jovens a ganhar ao Cristiano Ronaldo, nos pontapés à tabela periódica. Um tiro, e lá vai o mercúrio e o selénio à vida.
Muita coisa está mal nas escolas, mas a meu ver, o mal começa em casa… se nada mais mudou, qual o motivo de hoje em dia ser mais difícil ensinar a criançada? E como uma coisa leva a outra, se eu não responsabilizar o meu filho pelo facto de partir a montra de uma loja do FCP, que grandeza estou eu a transmitir? Se eu não sei incutir alguma responsabilidade aos meus filhos, por que raio censuro a dita “passividade” dos professores? A minha responsabilidade passou a ser a deles? Mas será que os mesmos terão possibilidade de o fazer? Muitos não saberão que, nos dias de hoje, até já há desculpa para a preguiça intelectual, “empurrando” os preguiçosos para currículos alternativos, NEE’s, CEF’s, entre outros modelos de “educação e formação”, que mais não servem do que para desculpar o descuido social de todos nós em relação aos adultos de amanhã. Não me interpretem mal… esses cursos terão o valor que lhe for atribuído, mas muitos dos que para aí são despejados, com umas palmadinhas em casa tinha-se resolvido o problema.
Por isto tudo, não me admira tamanha manifestação de descontentamento, quando se tenta mexer no “mal menor”, sem resolver o resto. É certo que muitos são mesmo movidos pela ameaça de uma avaliação que, sabe quem sabe, é muito injusta, desigual e penalizadora para muitos… basta referir que os critérios de avaliação são subjectivos, que penalizam, por exemplo, um docente a quem não lhe sejam atribuídos cargos nenhuns na escola. Ou então, que como cada escola define os critérios aos quais quer dar mais relevo, um docente “Excelente” numa escola, pode muito bem e com facilidade, ser apenas “Suficiente” noutra. Some-se a isto o tal fantasma da progressão por quotas, e temos o cenário fantástico de, numa escola com poucos docentes “Excelentes” toda a gente progride, ao passo que, numa escola modelo (com meninos bem educados – coisa rara, pais atentos aos problemas da pequenada…), o trabalho dos docentes está facilitado, logo, “Excelentes” com força; só meia dúzia (estimo eu) prospera financeiramente.
Junte-se a tudo isto a “prova de ingresso”, em que um docente com menos de 5 anos “de casa”, em hora e meia (mais uma vez, uma estimativa), compromete tudo o que desenvolveu até à data; chiça… já agora, seria engraçado de submeter todos os docentes à referida prova… e, mais uma estimativa, algo me diz que mesmo o docente mais “excelente” podia ser “expulso taxativamente” da profissão… quando para mais, ninguém sabe o que sairá da cabeça de uns poucos, que originará a referida prova de conhecimentos… deixo isto em aberto para um próximo post.
Não me alongo mais… deixo apenas a seguinte mensagem: exceptuando as manifestações às quais me referi num post anterior, protestar é bom, pois os protestos de hoje beneficiam alguém amanhã…
Ausência (prolongada) e regresso
Cá estou eu novamente, de volta a este meu desablogafo... muito há que contar, mas pouco tempo para o efeito... vou tentar, caros fiéis leitores, depois deste tempo de hibernação, manter-vos actualizados das minhas aventuras e desventuras... contando que ainda haja interessados em as ler...
Por agora, saudações e até breve...