quinta-feira, agosto 24, 2006

postheadericon Um passo à frente, dois atrás

Há alturas na vida em que parece que nada nos corre bem, ou por outra, muito pouca coisa... se a minha vida melhorou em alguns aspectos, em outros piorou ou então, mantém-se inalterada... parece que no meu caso tem que haver um equilíbrio, o que me leva a dizer que, se ganha-se o totoloto, era capaz de me cair a... unha do dedo grande...
Pois é, dá a impressão que, quanto mais velhos ficamos, mais nos preocupa o facto de não vermos as coisas andar para a frente... eu, por exemplo, devo dizer que a minha pro-actividade anda por aí perdida e não sei onde a arrumei, o que quer dizer que, em alguns aspectos da minha vida, limito-me a queixar-me do desgraçado que sou (e desgraçados dos meus amigos, que lá me vão aturando... ou evitando...).
A vida, é dura!!! Mas às vezes somos nós que não fazemos com que amoleça, pois limitamo-nos a "chorar" pelo que não temos... e vemos os outros a "passar-nos a perna"... engraçado que ainda há pouco um amigo meu me falou de um projecto que está agora a ser implementado por uma empresa e que eu tive ideia semelhante há uns anos e nada fiz (por não saber onde anda a danada da pro-actividade)... e a ver pelo orçamento daquela treta, podia agora fazer a desejada viagem a Bora Bora (entretanto, por agora, o Tibete já era).
Por isso meninos, não façam aqui como o "je"... e se algo querem, não se esqueçam que é impossível ganhar o totoloto sem jogar... e jogando, sempre há uma probabilidade, por mais ínfima que seja, de nos calhar alguma coisa...

postheadericon Introspecção

Como já referi em outros posts, há certos episódios das nossas vidas que nos marcam mais do que as tatuagens, que como sabem, graças a coisas que alguns chamam de progresso tecnológico, já nos é possível eliminar sem que fiquem marcas permanentes.

Todos nós, inevitavelmente, passamos por situações menos agradáveis, quer se tenha nascido em berço de ouro ou, como eu e muitos outros, na maternidade. De facto, se podemos em muitas situações prolongar um sorriso por nos acontecer uma coisa boa, também prolongamos, talvez em demasia, uma cara triste, porque (adivinhem), nos acontecem coisas más.

Assim, para estes casos, por vezes passamos a viver nessa tristeza e passamos a rejeitar qualquer oportunidade de (novamente), soltarmos um sorriso. Inevitavelmente, se há algo que nos fere, num instinto primário, tentamos nos proteger, de modo a não passarmos novamente pelo mesmo. Isso leva-nos a dar asas a um pensamento pessimista, que sobrevaloriza os pontos negativos das situações, adquiridos e constatados em experiências anteriores (os intitulados de contras), de modo a não nos envolvermos uma segunda vez numa situação (hipoteticamente) para nós prejudicial.

Se ao irmos pelo passeio, no meio de prédios, levamos com um balde de água em cima, na melhor das hipóteses, se inevitavelmente temos que passar novamente por esse caminho, vamos ter a atenção redobrada e, ao mínimo sinal de perigo, pegamos na pistola de água e antecipamos o ataque. Mas também há os que até gostam de levar com os baldes de água e não têm a percepção que, se calhar, esse ritual pode dar origem a uma valente constipação.

Claro está que, ao referir-me a estes comportamentos, refiro-me mais especificamente ao nosso relacionamento com os outros, sejam eles de amizade ou algo mais. Aí sim, se algo nos acontece, passamos sempre a andar com a pistola de água no bolso. Nestes casos também, se alguém nos provoca a tal de tristeza, fazemos, como disse, os possíveis para “bloquear” no nosso pensamento a possibilidade de, novamente passarmos pelo mesmo. Se perdemos um amigo porque ele (pela negativa) nos surpreende (rouba-nos aquele autógrafo especial do elenco dos morangos com açúcar e vai vendê-lo na internet), é mais que certo que vamos ter a atenção redobrada e impedimos mesmo, em muitos casos, a entrada de um novo amigo, com medo de sermos novamente surpreendidos (pois é, já tenho outro autógrafo e não mostro a ninguém). Por arrasto, é certo que o nosso número de amigos vai diminuindo, já que os que temos lá nos vão surpreendendo e não permitimos ser surpreendidos pelos (hipotéticos) novos.

No que concerne a namoros, casamentos e por aí fora, a coisa piora e de que maneira. Ele há os que inclusivamente preferem ir para o Tibete, a fim de evitarem novamente o espanto de constatar que, afinal, quem está connosco não é a princesa (ou príncipe), mas sim a bruxa (ou Sócrates – esse malandro). Pois é... depois andamos anos e anos, até que descobrimos que afinal, o Tibete é longe p’ra caraças, ou seja, que se calhar, até é bom sermos surpreendidos já que, por vezes, a surpresa é boa e espoleta em nós o tal de sorriso… ou então, no pior cenário, temos o tal processo de aprendizagem, que há quem diga que é bom (eu continuo a dizer que nos faz é perder tempo - e esse, é o meu maior medo)… afinal, se passarmos novamente entre os prédios, podemos levar antes com um balde cheio de notas (ia dizer moedas, mas isso podia doer muito – de qualquer modo, até podem no meio haver algumas falsificadas, mas a quantidade de boas que apanhamos compensa). Isso não quer dizer que a seguir o balde não possa estar cheio de mij…, digo, xixi, mas o que é certo é que também perdemos a oportunidade de levar com as notas (ou moedas, para quem tenha a cabeça dura).

Pois é amigos… andei eu 3 anos e tal para me aperceber disso (andei em convalescença, mas parece que o prognóstico é optimista – pelo menos já tive a destreza de sair dos cuidados intensivos), sempre com o chapéu-de-chuva aberto entre os prédios, até que levei com uma moeda em cheio na tola… e agora, só espero que o inchaço dure muito a passar!!!

Isso leva-me a concluir que, todos nós, mais tarde ou mais cedo, acabamos por levar com uma moeda na caixa craniana… e que se calhar é estupidez andarmos dias, meses, anos a adiar esse acontecimento… muitas vezes a moeda deixa uma ferida aberta, mas temos que pensar que há mais sítios onde acertar... mesmo que entretanto lá venham uns baldes cheios de líquido processado pelos rins, parece-me agora que mais vale isso do que andar com uma túnica a tocar o tal de sino lá para o Tibete, nem que seja por parecer um ritual um pouco abichanado. Assim, entre aprendizagens, pelo menos temos a oportunidade de momentaneamente sermos felizes e de fazer felizes os outros (mostrando os nossos autógrafos).

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