quarta-feira, março 26, 2008

postheadericon Professora sexagenária VS Aluna "pita"

Senhoras e senhores: o combate de hoje confronta um professor de história do tempo de Camões - 62 anos de juventude - 1,65m - joanetes e hipertensão VerSus um aluno dos CEF's da Escola EB 2/3 de Trafaria da Mata - 1,72m de videojogos, 25 anos de repetências, fígado gordo e surro de três dias.
Local do confronto: sala de aula, segundo tempo.
Objectivos individuais: o professor deverá apoderar-se do telemóvel, PSP, Mp3, Mp4 e "fusca" do aluno. Por sua vez, o aluno deverá neutralizar as investidas do professor e se possível, tratá-lo com escarno, insultando a sua mãe(zinha) e os Lusíadas.
Pontos extra:
- 5 pontos extra para o aluno, caso consiga provocar um ataque cardíaco ao docente + 2 pontos extra se o ataque for fatal;
- 10 pontos extra para o docente, caso consiga abrir a porta para pedir auxílio + 5 pontos se conseguir retirar o boné da quicksilver ao aluno.
Cobertura audiovisual: garantida pelos colegas de turma, incluindo comentários em tempo real.

... e assim vai o nosso ensino...
segunda-feira, março 10, 2008

postheadericon Avaliem-me sff

Antes de iniciar o tema pretendido com este post, cabe-me agradecer aos poucos que ainda se dão ao trabalho de vir ver se há novidades :)
E indo ao que interessa, escrevo isto alguns dias depois de (dizem) 100.000 docentes se manifestarem em plena praça pública, indignados com o que se tem feito a nível central, e ao que a eles diz respeito, interferindo no (normal) funcionamento da “máquina”. Falo, claro, da avaliação dos professores, pretendida pelo Ministério da Educação, nos moldes "prontamente" apresentados em Janeiro deste ano.
Ultimamente - e passe-se a publicidade - leio as notícias do dia no público online. No que diz respeito a este tema, os comentários aí "postados" estão "recheados" de pérolas linguísticas, à boa maneira lusitana; restando dizer que não são colocados no sentido de elogiar tão nobre profissão.

De facto, a opinião pública, caso lhe fosse dado esse direito, regava os professores com gasolina, ou com outro produto altamente inflamável, mas consideravelmente mais barato. Em seguida, deitava-lhes fogo com um isqueiro à prova de crianças.

Entretanto, o governo e intervenientes económicos, aproveitando a distracção do povo, lá lhe vão entrando no bolso, seja pela ameaça do escalar do preço do pão, seja pela alteração do IVA (para baixo) a que algumas actividades económicas estão sujeitas, sem que o preço final para o consumidor seja alterado (mas que raio terá acontecido aqui?). Assim, mantém-se uma ministra incompetente para distrair o povinho… digo mais, uma socióloga que, caso fosse sujeita a uma prova de conhecimentos, como a própria quer fazer aos docentes, algo me diz que não teria a avaliação necessária para continuar na profissão.
Digo mesmo, que 99,9% dos portugueses (onde eu próprio me incluo), comentam tudo e todos, desconhecendo o assunto, desconhecendo as causas, e mais grave, desconhecendo as pessoas. É triste ter a consciência que somos capazes de tal coisa, ignorando que, talvez, a classe docente não seja assim tão "tapadinha", ao ponto de se juntarem todos em plena rua, qual carnaval do Rio, ou até, de Cabanas de Viriato, seguindo como cordeirinhos ao som do pastor; o tal de sindicato... interessante é ver que muitos que ali estavam, nem sequer são sindicalizados. Quem diz professores, diz outro assunto qualquer, sujeito ao escrutínio na praça pública. Somos pródigos a avaliar o comportamento dos outros, e mais ainda, a concluir que quem protesta, não é competente naquilo que faz.

Enquanto não sentimos a mão a entrar no nosso bolso (entretanto, já entrou por diversas vezes, mas foi de mansinho), ocupamos o nosso tempo a observar da bancada as manifestações dos outros, que, coitados, não são inteligentes ao ponto de saber o que os move a ali estar, a fazer aquelas figuras. E o que está por trás não interessa, já que os mesmos que amanhã nos vão apalpar o forro dos bolsos, naquele caso, são muito competentes. Seja lá o que for que pretendem fazer, naquele caso está bem…

Quem por curiosidade já leu alguns dos meus anteriores posts, sabe que também eu me dedico à mesma profissão que esses tais de 100.000. E mais, que antes disso, mais precisamente durante 10 anos, me dediquei a um patrão que conhecia e que, esporadicamente, a quem podia apertar a mão; quer isto dizer que trabalhei no sector dito privado (infelizmente, hoje em dia, mesmo esses já não são tão privados assim, ao ponto de, a troco de umas influências e regalias, terem que prestar contas a alguém ministeriável). Ora, tendo muitos amigos docentes, também eu dedicava o meu tempo a lamentar as minhas 40 (e tais) horas de trabalho semanais, quando os “caramelos” trabalhavam apenas 22 horas. Escusado será dizer que agora tenho outra percepção das coisas. Mas, considerando que essas 22 horas são dedicadas a leccionar (o resto, já todos ouviram falar, que é necessário preparar aulas, corrigir testes, meter a cabeça no frigorífico para arrefecer, reuniões, meter novamente a cabeça no frigorífico… mas parece que ninguém acredita que isso acontece), digo e desafio o comum dos mortais a experimentar tal acto… 22 horas semanais, dedicadas a (tentar) ensinar uns jovens que, revoltados e tal, se vêm obrigados a ir à escola. Se calhar, um dia bastaria para muitos terem uma percepção diferente da que têm agora.

Lembro-me do meu tempo de escola, em que havia um respeito enorme pela figura do professor (o meu obrigado a todos os meus professores, que fizeram com que hoje eu seja quem sou)… diga-se, que tal figura dispunha de “mecanismos” para penalizar os eventuais infractores, que de alguma forma revelassem um comportamento inadequado ao espaço de sala de aula… e ouvir falar em Conselho Directivo, fazia tremer o rufia mais persistente. Hoje, os miúdos vão para a escola como se fossem para jogar à bola no campo do bairro… perdão, como se fossem fazer uma lan party com os amigos, que isso de futebol com os pés cansa. Hoje em dia, os jovens não são os mesmos; não se regem pelos mesmos princípios… o acto de cuspir para o chão, enquanto se recita um verso de qualquer nobre figura já falecida da nossa praça, com o boné “bem” colocado, é normal. E pôr isso em causa, é contrariar as pobres almas, logo, motivo de crítica por parte dos mesmos, dos respectivos encarregados de educação e sociedade em geral.

Uma coisa é certa, se há um par de anos atrás, tudo funcionava relativamente bem… o que mudou para que hoje funcione mal? Os meus professores tornaram-se maus? A escola fechou as portas aos encarregados de educação? A matemática, história, geografia e demais disciplinas, tornaram-se monstros, que apenas servem para ocupar os professores e demonstrar a fragilidade dos receptores da informação que se quer transmitir? Eu, como trabalho com informática, já pensei em criar um jogo com uns gráficos excepcionais, que pretenda ensinar os jovens a ganhar ao Cristiano Ronaldo, nos pontapés à tabela periódica. Um tiro, e lá vai o mercúrio e o selénio à vida.

Muita coisa está mal nas escolas, mas a meu ver, o mal começa em casa… se nada mais mudou, qual o motivo de hoje em dia ser mais difícil ensinar a criançada? E como uma coisa leva a outra, se eu não responsabilizar o meu filho pelo facto de partir a montra de uma loja do FCP, que grandeza estou eu a transmitir? Se eu não sei incutir alguma responsabilidade aos meus filhos, por que raio censuro a dita “passividade” dos professores? A minha responsabilidade passou a ser a deles? Mas será que os mesmos terão possibilidade de o fazer? Muitos não saberão que, nos dias de hoje, até já há desculpa para a preguiça intelectual, “empurrando” os preguiçosos para currículos alternativos, NEE’s, CEF’s, entre outros modelos de “educação e formação”, que mais não servem do que para desculpar o descuido social de todos nós em relação aos adultos de amanhã. Não me interpretem mal… esses cursos terão o valor que lhe for atribuído, mas muitos dos que para aí são despejados, com umas palmadinhas em casa tinha-se resolvido o problema.

Por isto tudo, não me admira tamanha manifestação de descontentamento, quando se tenta mexer no “mal menor”, sem resolver o resto. É certo que muitos são mesmo movidos pela ameaça de uma avaliação que, sabe quem sabe, é muito injusta, desigual e penalizadora para muitos… basta referir que os critérios de avaliação são subjectivos, que penalizam, por exemplo, um docente a quem não lhe sejam atribuídos cargos nenhuns na escola. Ou então, que como cada escola define os critérios aos quais quer dar mais relevo, um docente “Excelente” numa escola, pode muito bem e com facilidade, ser apenas “Suficiente” noutra. Some-se a isto o tal fantasma da progressão por quotas, e temos o cenário fantástico de, numa escola com poucos docentes “Excelentes” toda a gente progride, ao passo que, numa escola modelo (com meninos bem educados – coisa rara, pais atentos aos problemas da pequenada…), o trabalho dos docentes está facilitado, logo, “Excelentes” com força; só meia dúzia (estimo eu) prospera financeiramente.

Junte-se a tudo isto a “prova de ingresso”, em que um docente com menos de 5 anos “de casa”, em hora e meia (mais uma vez, uma estimativa), compromete tudo o que desenvolveu até à data; chiça… já agora, seria engraçado de submeter todos os docentes à referida prova… e, mais uma estimativa, algo me diz que mesmo o docente mais “excelente” podia ser “expulso taxativamente” da profissão… quando para mais, ninguém sabe o que sairá da cabeça de uns poucos, que originará a referida prova de conhecimentos… deixo isto em aberto para um próximo post.

Não me alongo mais… deixo apenas a seguinte mensagem: exceptuando as manifestações às quais me referi num post anterior, protestar é bom, pois os protestos de hoje beneficiam alguém amanhã…

quinta-feira, outubro 18, 2007

postheadericon Ausência (prolongada) e regresso

Caros leitores,

Cá estou eu novamente, de volta a este meu desablogafo... muito há que contar, mas pouco tempo para o efeito... vou tentar, caros fiéis leitores, depois deste tempo de hibernação, manter-vos actualizados das minhas aventuras e desventuras... contando que ainda haja interessados em as ler...

Por agora, saudações e até breve...
quarta-feira, novembro 22, 2006

postheadericon Ausência

Pessoal... grande público... estou de volta!!!
Desculpem o período de ausência, mas andei ocupado a... fazer outras coisas!!!
E as novidades são as seguintes: estou mais gordo, (ainda) mais feio (dizem que não há cura) e com os pés gelados, derivado a este tempo, característico da estação que antecede o Inverno.
Ahhh... já me estava a esquecer: entretanto, fiquei colocado em Bijeu (há uma série que presentemente passa na FOX intitulada "Perto de Casa" - dá para ver que tenho tido tempo para ver televisão)... mas continuando... e como dizia, em Bijeu, 14 horinhas para dar aulas a presidiários, ciganos e... outras pessoas (não falo de muçulmanos, pois podem achar ofensivo). Devo dizer que, até à data, até tenho gostado de dar aulas na prisão... mas interessa, antes de mais, explicar como se distribuem as horas que me foram atribuídas: cá o puto, vai dar aulas a adultos, pois as horinhas estão afectas a dois cursos de Educação e Formação de Adultos; um a decorrer no estabelecimento prisional de Bijeu (ao pé da famosa estátua do Lopes sem cabeça) e outro a decorrer na escola da Avenida (ao pé dos Bombeiros Voluntários de Viseu, perdão, Bijeu)
...
O intuito destes cursos é dar formação (e educação) a pessoas que, à partida não a têm... e com isso atribuir um certificado de frequência, dando equivalência ao 2º ou 3º ciclo, conforme o caso... e penso que, mesmo ainda não tendo visto nenhum desses certificados, devem ser mais bonitos do que as facturas da EDP... e devo também dizer que, em relação à educação e formação, conheço pessoas, ditas cultas, que não serviam para empregados de alguns dos meus actuais formandos.
Como disse atrás, até agora, estou a achar a experiência interessante, nomeadamente no que concerne ao estabelecimento prisional (até ao final do ano, espero eu ficar certificado em como fazer ligações directas a BMW's), pois, como devem imaginar, é outro mundo... espero periodicamente poder relatar algumas das minhas aventuras por lá... e se não der notícias por muito tempo, é porque alguém descobriu que insultei publicamente o respeitável Engenheiro Sócrates e a sua cocumbina (acho que é assim que se escreve), Ministra da Educação...
E mais... diariamente, passo pela experiência de ser revistado... mas até à data não me mandaram ficar como vim para este Mundo... pois uma dia por lá podem achar que eu ou um dos meus colegas, andamos a passar lá para dentro "coisas" pelo método do supositório... penso que será uma experiência desagradável e dou a minha vez a quem, por diversos motivos, até possa gostar...
Por agora é tudo... e bons caldinhos para todos, pois este frio a isso obriga...
terça-feira, outubro 10, 2006

postheadericon Manifestações

É engraçado observar aquelas pessoas que se envolvem em 1001 causas, alistam-se em outras tantas manifestações e substituem os cartazes de "mãe estou aqui" por "gays ao poder" e outras frases "sonantes"...
Não se importam, como é possível verificar através da observação dos hábitos da "espécie" que, o facto de hoje serem pró não inviabiliza o facto de amanhã poderem ser contra... qualquer coisa, claro está...
O importante é envolverem-se no maior número de manifestações possíveis... como quando vamos às bombas atestar o depósito e ganhamos uns pontos para somar aos do cartão, também esta "espécie" deve ter algum sistema de retribuição pela sua envolvência nas mais loucas e descabidas manifestações...
Bem, mas algumas até dá gosto ver... aquelas em que as moças (os moços não me interessam) andam todas nuas, em protesto contra o uso de peles animais em vestuário... até dá vontade de esfolar dois ou três esquilos para fazer um cachecol, só para ver as garinas "actuar"... mais parece que o facto de se envolverem em protestos de toda a espécie é o que os alimenta, mais uma vez, mesmo sendo esses muitas vezes contraditórios (acredito que muitas vezes nem saibam ao certo sobre o que protestam - vêm um amontoado de pessoas e lá vão eles)... há quem beba actimel para alimentar o organismo e há quem entre nestas "raves".
Até os ditos VIPs se envolvem em manifestações e demais protestos, tornando muitas vezes causas medíocres e desprovidas de nexo em causas sociais, com direito a programas em prime time... enfeitam-se todos com pulseirinhas e outros acessórios... e ai daqueles que não o façam, pois arriscam-se a deixar de aparecer nas revistas do social, pois não "abraçam" as ditas causas...
terça-feira, setembro 26, 2006

postheadericon Velhice

Sinto-me velho!!! Que me desculpem os "velhos" de idade, mas eu, com os meus 19 anitos, sinto-me velho... pois é, mesmo só tendo esta bonita idade (em que antigamente se começava a descobrir as outras utilidades da pilinha, sem ser a de fazer pontaria para os insectos que habitam os sanitários públicos - mas hoje em dia descobrem-se essas outras facetas aos 10 anos, a ver televisão), sinto que já tenho para aí uns 29!!!
Devo dizer que, tendo esta idade, há quem diga que tenho para aí uns 16 anos... e há quem, depois de me conhecer, afirme que a idade mental é ainda menor, mas o que conta são os que já cá moram.
Digo assim (para me louvar) que estou bem conservado, apesar das bocas "foleiras" que dizem é que tenho cara de puto... a essas pessoas eu digo: "Antes cara de puto que cara de p...ta!!!".
E dizem vocês: "Que falta de maturidade, fazer trocadilhos, empregando o uso do calão, como fazem os putos!". Pois... e eu digo-vos: "Ó suas mentes poluídas e decrépitas... o que eu queria dizer era cara de pita!". E porquê? Porque também há quem afirme que, com a barba cortadinha e as sobrancelhas arranjadas (contando que também tivesse um cabelo "vasto"), até que nem seria uma gajita de se deitar fora!!! Devo dizer que, sempre que alguém me diz isto, afasto-me devagarinho e sem virar as costas... nunca se sabe... e sempre que os vejo, faço festas aos animaizinhos que povoam a zona intermédia e cuspo para o chão!!!
Pois é... e a velhice manifesta-se de várias formas... são os joelhos que empenam, as articulações em geral que padecem de falta de lubrificação... a necessidade de comprimidos azuis, para as alergias, etc... ele é uma imensidão de sintomas que nos fazem crer que, quanto mais para a frente, mais para baixo!!!
Mas não é só do corpo (ainda esbelto) que me queixo... também a massa cinzenta precisava de um "upgrade", pois, como já deve ter dado para ver, em muitas coisas considero-me um caturro (e ainda bem - a ver pelas maluqueiras que um pouco por todo o lado se fazem hoje em dia).
Concluindo, desconfio que, quando chegar verdadeiramente aos 29 anos (que a saúde assim me permita), vou precisar de outros comprimidos azuis, que não os das alergias, pois desconfio que também vou precisar dos ditos cujos para o reumatismo...
segunda-feira, setembro 25, 2006

postheadericon Outono

Pois é... cá estou eu de volta com mais notícias disponibilizadas à minha (extensa) audiência...
Há quem diga que o Outono anda por aí... e a ver pela chuva que tem caído, acho que quem o disse tem razão! De facto, não há fama sem proveito (e quem diz o contrário que abra os olhos)!!!
Para quem não saiba (que tenha andado a hibernar estes anos todos), o Outono vem a seguir ao Verão e antes do Inverno...
Na minha ideia, só existem duas verdadeiras estações: o Verão e o Inverno... a Primavera e o Outono correspondem a "estágios" para nos preparar para o que aí vem... se bem que ultimamente os rapazes que lá em cima regulam o tempo nos têm trocado as voltas... faz sol no Inverno e chove no Verão... se bem que o frio e o calor mantêm-se inalterados...
Eu cá já começo a preparar-me para o que aí vem e já enfiei mais um cobertor na cama... e devo dizer que, mais não tenha para fazer, conto ficar o máximo de tempo possível na horizontal (ainda se dorme nesta posição), pois já começa a saber bem ficar na "sorna"... e à espera que os castanheiros nos dêm as benditas castanhas (é pena não cairem logo assadas e com sal das árvores)...
quinta-feira, agosto 24, 2006

postheadericon Um passo à frente, dois atrás

Há alturas na vida em que parece que nada nos corre bem, ou por outra, muito pouca coisa... se a minha vida melhorou em alguns aspectos, em outros piorou ou então, mantém-se inalterada... parece que no meu caso tem que haver um equilíbrio, o que me leva a dizer que, se ganha-se o totoloto, era capaz de me cair a... unha do dedo grande...
Pois é, dá a impressão que, quanto mais velhos ficamos, mais nos preocupa o facto de não vermos as coisas andar para a frente... eu, por exemplo, devo dizer que a minha pro-actividade anda por aí perdida e não sei onde a arrumei, o que quer dizer que, em alguns aspectos da minha vida, limito-me a queixar-me do desgraçado que sou (e desgraçados dos meus amigos, que lá me vão aturando... ou evitando...).
A vida, é dura!!! Mas às vezes somos nós que não fazemos com que amoleça, pois limitamo-nos a "chorar" pelo que não temos... e vemos os outros a "passar-nos a perna"... engraçado que ainda há pouco um amigo meu me falou de um projecto que está agora a ser implementado por uma empresa e que eu tive ideia semelhante há uns anos e nada fiz (por não saber onde anda a danada da pro-actividade)... e a ver pelo orçamento daquela treta, podia agora fazer a desejada viagem a Bora Bora (entretanto, por agora, o Tibete já era).
Por isso meninos, não façam aqui como o "je"... e se algo querem, não se esqueçam que é impossível ganhar o totoloto sem jogar... e jogando, sempre há uma probabilidade, por mais ínfima que seja, de nos calhar alguma coisa...

postheadericon Introspecção

Como já referi em outros posts, há certos episódios das nossas vidas que nos marcam mais do que as tatuagens, que como sabem, graças a coisas que alguns chamam de progresso tecnológico, já nos é possível eliminar sem que fiquem marcas permanentes.

Todos nós, inevitavelmente, passamos por situações menos agradáveis, quer se tenha nascido em berço de ouro ou, como eu e muitos outros, na maternidade. De facto, se podemos em muitas situações prolongar um sorriso por nos acontecer uma coisa boa, também prolongamos, talvez em demasia, uma cara triste, porque (adivinhem), nos acontecem coisas más.

Assim, para estes casos, por vezes passamos a viver nessa tristeza e passamos a rejeitar qualquer oportunidade de (novamente), soltarmos um sorriso. Inevitavelmente, se há algo que nos fere, num instinto primário, tentamos nos proteger, de modo a não passarmos novamente pelo mesmo. Isso leva-nos a dar asas a um pensamento pessimista, que sobrevaloriza os pontos negativos das situações, adquiridos e constatados em experiências anteriores (os intitulados de contras), de modo a não nos envolvermos uma segunda vez numa situação (hipoteticamente) para nós prejudicial.

Se ao irmos pelo passeio, no meio de prédios, levamos com um balde de água em cima, na melhor das hipóteses, se inevitavelmente temos que passar novamente por esse caminho, vamos ter a atenção redobrada e, ao mínimo sinal de perigo, pegamos na pistola de água e antecipamos o ataque. Mas também há os que até gostam de levar com os baldes de água e não têm a percepção que, se calhar, esse ritual pode dar origem a uma valente constipação.

Claro está que, ao referir-me a estes comportamentos, refiro-me mais especificamente ao nosso relacionamento com os outros, sejam eles de amizade ou algo mais. Aí sim, se algo nos acontece, passamos sempre a andar com a pistola de água no bolso. Nestes casos também, se alguém nos provoca a tal de tristeza, fazemos, como disse, os possíveis para “bloquear” no nosso pensamento a possibilidade de, novamente passarmos pelo mesmo. Se perdemos um amigo porque ele (pela negativa) nos surpreende (rouba-nos aquele autógrafo especial do elenco dos morangos com açúcar e vai vendê-lo na internet), é mais que certo que vamos ter a atenção redobrada e impedimos mesmo, em muitos casos, a entrada de um novo amigo, com medo de sermos novamente surpreendidos (pois é, já tenho outro autógrafo e não mostro a ninguém). Por arrasto, é certo que o nosso número de amigos vai diminuindo, já que os que temos lá nos vão surpreendendo e não permitimos ser surpreendidos pelos (hipotéticos) novos.

No que concerne a namoros, casamentos e por aí fora, a coisa piora e de que maneira. Ele há os que inclusivamente preferem ir para o Tibete, a fim de evitarem novamente o espanto de constatar que, afinal, quem está connosco não é a princesa (ou príncipe), mas sim a bruxa (ou Sócrates – esse malandro). Pois é... depois andamos anos e anos, até que descobrimos que afinal, o Tibete é longe p’ra caraças, ou seja, que se calhar, até é bom sermos surpreendidos já que, por vezes, a surpresa é boa e espoleta em nós o tal de sorriso… ou então, no pior cenário, temos o tal processo de aprendizagem, que há quem diga que é bom (eu continuo a dizer que nos faz é perder tempo - e esse, é o meu maior medo)… afinal, se passarmos novamente entre os prédios, podemos levar antes com um balde cheio de notas (ia dizer moedas, mas isso podia doer muito – de qualquer modo, até podem no meio haver algumas falsificadas, mas a quantidade de boas que apanhamos compensa). Isso não quer dizer que a seguir o balde não possa estar cheio de mij…, digo, xixi, mas o que é certo é que também perdemos a oportunidade de levar com as notas (ou moedas, para quem tenha a cabeça dura).

Pois é amigos… andei eu 3 anos e tal para me aperceber disso (andei em convalescença, mas parece que o prognóstico é optimista – pelo menos já tive a destreza de sair dos cuidados intensivos), sempre com o chapéu-de-chuva aberto entre os prédios, até que levei com uma moeda em cheio na tola… e agora, só espero que o inchaço dure muito a passar!!!

Isso leva-me a concluir que, todos nós, mais tarde ou mais cedo, acabamos por levar com uma moeda na caixa craniana… e que se calhar é estupidez andarmos dias, meses, anos a adiar esse acontecimento… muitas vezes a moeda deixa uma ferida aberta, mas temos que pensar que há mais sítios onde acertar... mesmo que entretanto lá venham uns baldes cheios de líquido processado pelos rins, parece-me agora que mais vale isso do que andar com uma túnica a tocar o tal de sino lá para o Tibete, nem que seja por parecer um ritual um pouco abichanado. Assim, entre aprendizagens, pelo menos temos a oportunidade de momentaneamente sermos felizes e de fazer felizes os outros (mostrando os nossos autógrafos).

terça-feira, julho 25, 2006

postheadericon Life will go on until the end

Poxa... estava agora a ouvir o novo album dos "Breaking Benjamin" e eis que... o gajo (vocalista), profere uma afirmação destas... chiça, o gajo é um génio... descobriu a razão de andarmos aqui e essas tretas... afinal, a vida continuará, até ao final... uau...
Isto fez-me lembrar certos horóscopos, do género: "Hoje você poderá se sentir triste, mas porém, haverá momentos de alegria"... e: "Os seus números da sorte para o totoloto são: de 1 a 49; escolha 6!".
Pois é, mas verdade verdadinha é que o tipo até disse uma coisa que nós muitas vezes ignoramos... e que, por esse facto, tomamos atitudes que, a bem da verdade, só vão encurtar o tempo até ao tal de "final"... ou seja, se calhar os horóscopos até estão correctos, pois se eu realmente escolher 6 dos 49 números, posso ter sorte... porém, se não fizer nada, não me posso queixar do meu azar...
A vida continuará até ao final... e até lá, cá se vai andando, com a cabeça entre as orelhas...

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