quarta-feira, março 25, 2009
Responsabilidade
quarta-feira, março 25, 2009 | Publicada por
Pedro Duarte |
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Caros amigos,
já há algum tempo que não escrevo aqui no meu blog, mas hoje aconteceu-me uma coisa tão surreal, que tenho que "desabafar" e deixar a memória por escrito.
Poupo-vos o sacrifício de lerem o meu relato pormenorizado do sucedido, mas interessa reter que o tal evento despertou em mim um sentido de impotência tremendo por me ver impossibilitado de "fazer diferente".
Passo a explicar: já em post's anteriores referi a minha insatisfação com o "estado de sítio" da educação, que transformou a nobre actividade de leccionar numa "coisa" ingrata, ou melhor, numa ocupação de tempos livres. Hoje tive a noção que assim é... e que pouco posso fazer contra o "sistema".
Hoje em dia mais se não faz do que entreter os "gaiatos", já que as estimadas "criaturas", desprovidas de inteligência (somos nós, sociedade, que lhes atribuímos esse rótulo) têm a liberdade de fazer o que querem e que bem lhes apeteça, já que qualquer "desvio" é logo justificado e oficialmente tomado como "normal para a idade".
Desengane-se a "nobre alma" que pense que haverá solução para isto, já que o rácio de psicólogos por jovem inviabiliza qualquer tentativa de mudança de rumo... se não lhes apetece ir às aulas é porque vivem sobre stress, se insultam os professores e colegas é porque necessitam de expressar as suas opiniões, se são pais aos 14 anos é porque "o amor na juventude tem que ser explorado sem tabus"... enfim!!!
Mais, todos nós estamos a contribuir para este "estado de sítio". Senão vejamos:
P: O que fazer quando aumenta brutalmente a natalidade entre os jovens?
R: Despenaliza-se o aborto (mais fácil e mais "barato").
P: O que fazer para evitar o absentismo e/ou abandono escolar?
R: Retira-se a penalização (reprovação) por limite de faltas (assim, não se tem que justificar presenças - ou a falta de).
P: O que se faz quando diariamente vêm a notícia novos episódios de violência escolar?
R: O toque "Dá-me o telemóvel já" vende-se aos milhares.
P: O que fazer quando os alunos demonstram desinteresse pelo estudo?
R1: Promovem-se novos modelos de formação "adequados" às suas "capacidades" (e claro, devidamente financiados).
R2: Distribuem-se computadores portáteis à "mão cheia".
Enfim, poderia dar mais "meia dúzia" de exemplos, mas penso que todos compreenderão neste momento a minha insatisfação com o "estado na Nação".
Para "colorir" este post vou-vos contar uma coisa que se sucedeu comigo: recentemente fui presenteado com uma declaração de amor de uma aluna (que por acaso, nem pertence a nenhuma das minhas turmas)... claro que desde logo achei normal, já que os meus cabelos loiros e as por demais evidentes parecenças com o Brad Pitt facilmente justificam qualquer iniciativa deste género. De referir que na dita declaração, a aluna em causa, além de me tratar por "tu", fazia uma referência a uns "ciganos" que vivem num hotel em Tokio.
Escusado será dizer que, além de ignorar tal "afronta", considerada pelos psicólogos dos Morangos com Açúcar de normal e "salutar", desde logo informei quem de direito do sucedido (não vá o Diabo tecê-las)... mas fora isso, pouco posso fazer, pois de outro modo posso ser acusado de mil e uma coisas... menos de "educador"...
Devo dizer que considero normais as "paixonetas" adolescentes... e então por "figuras" mais velhas... pronto... dá-se o tal de desconto. Mas já não considero tão normal os ditos bilhetes e outro tipo de referências mais directas... algo se passa na sociedade e que leva os "gaiatos" a assumir estes comportamentos como naturais...
Por último, devo também dizer que (in)felizmente sempre cultivei uma boa relação com os meus alunos... e orgulho-me de acompanhar o percurso de alguns, fomentando, à posteriori, algum grau de amizade... talvez por isso é que me entristeça mais com estas "mudanças"... e por ter a noção que nada posso fazer para alterar o rumo do barco...
já há algum tempo que não escrevo aqui no meu blog, mas hoje aconteceu-me uma coisa tão surreal, que tenho que "desabafar" e deixar a memória por escrito.
Poupo-vos o sacrifício de lerem o meu relato pormenorizado do sucedido, mas interessa reter que o tal evento despertou em mim um sentido de impotência tremendo por me ver impossibilitado de "fazer diferente".
Passo a explicar: já em post's anteriores referi a minha insatisfação com o "estado de sítio" da educação, que transformou a nobre actividade de leccionar numa "coisa" ingrata, ou melhor, numa ocupação de tempos livres. Hoje tive a noção que assim é... e que pouco posso fazer contra o "sistema".
Hoje em dia mais se não faz do que entreter os "gaiatos", já que as estimadas "criaturas", desprovidas de inteligência (somos nós, sociedade, que lhes atribuímos esse rótulo) têm a liberdade de fazer o que querem e que bem lhes apeteça, já que qualquer "desvio" é logo justificado e oficialmente tomado como "normal para a idade".
Desengane-se a "nobre alma" que pense que haverá solução para isto, já que o rácio de psicólogos por jovem inviabiliza qualquer tentativa de mudança de rumo... se não lhes apetece ir às aulas é porque vivem sobre stress, se insultam os professores e colegas é porque necessitam de expressar as suas opiniões, se são pais aos 14 anos é porque "o amor na juventude tem que ser explorado sem tabus"... enfim!!!
Mais, todos nós estamos a contribuir para este "estado de sítio". Senão vejamos:
P: O que fazer quando aumenta brutalmente a natalidade entre os jovens?
R: Despenaliza-se o aborto (mais fácil e mais "barato").
P: O que fazer para evitar o absentismo e/ou abandono escolar?
R: Retira-se a penalização (reprovação) por limite de faltas (assim, não se tem que justificar presenças - ou a falta de).
P: O que se faz quando diariamente vêm a notícia novos episódios de violência escolar?
R: O toque "Dá-me o telemóvel já" vende-se aos milhares.
P: O que fazer quando os alunos demonstram desinteresse pelo estudo?
R1: Promovem-se novos modelos de formação "adequados" às suas "capacidades" (e claro, devidamente financiados).
R2: Distribuem-se computadores portáteis à "mão cheia".
Enfim, poderia dar mais "meia dúzia" de exemplos, mas penso que todos compreenderão neste momento a minha insatisfação com o "estado na Nação".
Para "colorir" este post vou-vos contar uma coisa que se sucedeu comigo: recentemente fui presenteado com uma declaração de amor de uma aluna (que por acaso, nem pertence a nenhuma das minhas turmas)... claro que desde logo achei normal, já que os meus cabelos loiros e as por demais evidentes parecenças com o Brad Pitt facilmente justificam qualquer iniciativa deste género. De referir que na dita declaração, a aluna em causa, além de me tratar por "tu", fazia uma referência a uns "ciganos" que vivem num hotel em Tokio.
Escusado será dizer que, além de ignorar tal "afronta", considerada pelos psicólogos dos Morangos com Açúcar de normal e "salutar", desde logo informei quem de direito do sucedido (não vá o Diabo tecê-las)... mas fora isso, pouco posso fazer, pois de outro modo posso ser acusado de mil e uma coisas... menos de "educador"...
Devo dizer que considero normais as "paixonetas" adolescentes... e então por "figuras" mais velhas... pronto... dá-se o tal de desconto. Mas já não considero tão normal os ditos bilhetes e outro tipo de referências mais directas... algo se passa na sociedade e que leva os "gaiatos" a assumir estes comportamentos como naturais...
Por último, devo também dizer que (in)felizmente sempre cultivei uma boa relação com os meus alunos... e orgulho-me de acompanhar o percurso de alguns, fomentando, à posteriori, algum grau de amizade... talvez por isso é que me entristeça mais com estas "mudanças"... e por ter a noção que nada posso fazer para alterar o rumo do barco...
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